08.12.2011
"The Who nunca gravou nada tão ambicioso ou realista quanto 'Quadrophenia'", diz Pete Townshend

Guitarrista relembra o passado, fala sobre o presente e conjectura sobre futuras atividades solo e em conjunto com Roger Daltrey



Há 46 anos Pete Townshend escreveu aquilo que chama de "a canção mais explícita e discriminatória sobre idade etária do rock and roll": "My Generation" (1965), do The Who, com sua letra desafiante que diz: "espero morrer antes de ficar velho".

Isso não aconteceu para Townshend e nem para o vocalista Roger Daltrey -- apesar do baterista Keith Moon ter morrido em 1978, aos 32 anos, e o baixista John Entwistle em 2002, aos 57. Atualmente com 66 e 67 anos respectivamente, Townshend e Daltrey estão mais ocupados do que nunca, tanto individualmente quanto com The Who.

Neste ano, Townshend supervisionou uma edição especial de "Director's Cut" (versão do diretor) da ópera rock "Quadrophenia" (1973), cuidando da remasterização e da seleção de material não lançado anteriormente, além de escrever um novo ensaio de 13 mil palavras e comentários faixa-a-faixa para a caixa. Ele também está escrevendo um livro de memórias, "Who He?", e criando o musical "Floss". Como ele gosta de dizer: "É uma vida bem simples e estou só curtindo".

Por sua vez, Daltrey está se mantendo ocupado com sua própria banda, fazendo turnê com uma produção da ópera rock "Tommy" (1969) do The Who, além de tocar canções menos conhecidas do catálogo do grupo. "Dediquei minha vida em ser a voz da música [de Townshend]. Estou feliz nessa posição, sinto que fiz um bom trabalho para ele. Então se ele precisar de mim de novo, preciso estar preparado", diz Daltrey.

Townshend e seu problema de audição
Isso pode vir a acontecer já em 2012. Apesar de Townshend dizer que não sabe ao certo que forma "Floss" tomará -- "Eu realmente não sei se há algo que Roger e eu poderíamos fazer juntos, ou até mesmo se eu participaria" -- ele espera levar "Quadrophenia" de novo para a estrada, como ele, Daltrey e Entwistle fizeram em 1996-1997, com uma banda expandida e convidados como Gary Glitter, Billy Idol e P.J. Proby.

Na verdade, ele estava pronto para revisitar "Quadrophenia" quase imediatamente após uma apresentação da obra em março de 2010, realizada por ele e Daltrey durante um concerto beneficente para o Teenage Cancer Trust, no Royal Albert Hall de Londres.

"Roger não ficou satisfeito com a apresentação", explica Townshend. "Ele queria fazer algumas mudanças na forma como é apresentada e em algumas das imagens de filme que usamos, mas eu estou feliz como está. Acho que a música tem um efeito lindo. Por isso tenho aguardado pacientemente".

O guitarrista ri. "Trata-se de uma inversão de papéis", ele acrescenta, "porque geralmente Roger é quem deseja sair em turnê e eu sou aquele que diz: 'ei, espere, eu tenho que escrever isso e fazer aquilo'. Eu é que costumo ser o implicante. Venho importunando o Roger há algum tempo para realizarmos essa turnê, e parece que agora nós provavelmente a faremos. Aguardo ansiosamente".

A questão é mais do que mudanças na produção, diz Daltrey. Ele também permanece preocupado com a audição de Townshend, o zumbido que o levou a separar o The Who em 1982 e a adotar precauções especiais para as turnês posteriores de reunião do grupo. "Pete tem problemas sérios em seus ouvidos, e não é brincadeira", explica Daltrey. "Ele agora precisa usar dois aparelhos auditivos. Há problemas técnicos que precisamos contornar para podermos tocar ao vivo, em um show longo, algo que é prioritário no meu entender".

"Acho que é apenas uma desculpa", brinca Townshend, apesar de admitir que sua audição está de fato muito comprometida. "Acho que [Daltrey] está sendo sincero quando diz que não deseja ser aquele que me deixará surdo, mas eu não acho que ele tenha algum controle sobre isso. Se alguém vai me deixar surdo sou eu mesmo, não o Roger. Eu gosto de incendiar no palco, eu preciso disso, e sei que se fizer isso vou ensurdecer".

As questões psicológicas de "Quadrophenia"
Enquanto a questão da turnê vai se resolvendo -- "Nossa tendência é conversar muito antes de realmente fazermos qualquer coisa", nota Townshend com um sorriso -- os dois integrantes do Who estão bem ocupados com seus projetos individuais. Mergulhar de novo em "Quadrophenia", diz Townshend, foi um trabalho de amor, uma chance de revisitar uma parte da história do The Who que ele preza.

"O disco é tão importante para mim porque considero o último grande álbum do The Who. Sério", ele explica. "The Who nunca gravou nada tão ambicioso ou realista de novo. A banda estava em boa forma musicalmente, então as gravações em estúdio foram boas. E foi meio que o último álbum em que Keith Moon estava em forma para atuar como um integrante ativo de uma banda. Ele meio que foi para o espaço depois disso, então é um álbum comovente para mim. É um álbum precioso porque foi um momento de virada para mim".

Daltrey dá a Townshend quase todo crédito por "Quadrophenia". "O disco é mais obra do Pete do que 'Tommy'", diz o cantor. "Em 'Tommy', toda música foi composta pelo The Who. Pete pode ter composto as linhas principais da maioria das canções, mas todos os detalhes e complexidades faziam parte do caráter do grupo. 'Quadrophenia' não. Eu canto como um ator interpretando o papel do sujeito que ele estava tentando retratar em sua música".

Esse sujeito é Jimmy, um adolescente do Reino Unido nos anos 60 com uma personalidade "quadrifônica", que é refletida nos vários temas por todo o álbum. Townshend diz que estava tentando transmitir um senso de otimismo, mesmo em meio à abundância de ansiedade expressa no seu trabalho. "A história de Jimmy é que nada mais parece funcionar para ele, exceto ficar sentado na chuva rezando", disse Townshend, se referindo ao hino "Love Reign O'er Me", que fecha a peça.

"Jimmy descarta a terapia, religião, família, o trabalho, a política e, é claro, o rock and roll. Ele descarta tudo, a moda, as garotas, a turma, e acaba em um lugar desolado. Mas é um novo começo para ele, de certo modo. Não é uma peça sinfônica de modo apropriado, mas é o mais perto que chegarei em toda minha vida, eu acho", acredita Townshend.

Roqueiro envelhecido em novo musical
Townshend está empregando uma abordagem ambiciosa semelhante em "Floss". A história de um roqueiro que está envelhecendo, enfrentando questões "muito adultas" em sua vida e casamento --envelhecer de modo gracioso em vez de morrer precocemente-- Townshend a considera "no estilo de 'Tommy' e 'Quadrophenia'", mas com uma visão teatral mais bem definida.

"Eu a vejo como uma grande peça ao ar livre, uma peça musical, para apresentação ao ar livre ou arenas", diz Townshend, que está usando canções convencionais, mas também "'soundscapes (paisagens sonoras) em som surround' que contam com efeitos sonoros complexos e montagens musicais. É um projeto ambicioso, com certeza". Mas ele não deve surgir até meados do ano que vem, porque Townshend tem um prazo até março para "Who He?"

Após anos recusando ofertas de livros, ele está apreciando tanto escrever suas memórias a ponto de ter dificuldade para parar. "Estou cercado de caixas com recortes de jornal, diários, cartas, fotos e todo tipo de coisas", diz Townshend. "Às vezes acho difícil. Escrever um livro é um processo catártico, mas também é algo que me leva a tempos mais loucos. Às vezes preciso me sentar, permitir me desligar e dizer: 'olha, todo mundo sabe dessas coisas. Tudo o que estou fazendo é dar meu ponto de vista'. Mas já estou na metade e estou recebendo boas reações do meu editor".

Daltrey aguarda ansiosamente para ler o que seu parceiro tem a dizer --"Nós sempre nos recordamos das coisas de modo um pouco diferente", ele diz, "como quaisquer duas pessoas". Quanto ao futuro, ele ainda espera produzir um filme sobre a vida de Keith Moon, mas fora isso está tranquilo com qualquer coisa que vier, com ou sem o Who, em seu futuro.

"Já aceitei a ideia de que o Who é algo que parece acontecer mais do que planejamos", diz Daltrey. "Ele já durou muito mais e nos deu muito mais do que esperávamos ou poderíamos esperar. Cantar essas canções é o trabalho da minha vida, seja com o Pete ou com minha banda, e planejo continuar fazendo isso enquanto eu puder".


matéria de Gary Graff publicada originalmente no The New York Times; tradução de George El Khouri Andolfato publicada no site UOL Música

03.10.2011
Pete Townshend fará palestra em evento de rádio

Guitarrista debaterá se a criatividade pode sobreviver na era digital


A palestra anual, parte do Radio Festival, a ser realizado em Salford, Inglaterra, de 30 de outubro a 2 de novembro, pretende trazer todo ano uma figura diferente ligada à música.

Nesta primeira edição, Townshend discutirá se os músicos podem sobreviver na era dos downloads gratuitos.

A palestra, batizada em homenagem ao lendário DJ John Peel, morto em 2004, será transmitida ao vivo pela BBC 6 Music em 31 de outubro.

Townshend disse que ficou "honrado" em ser convidado, acrescentando que o DJ da Radio 1 apresentou-lhe bandas como The Jesus and Mary Chain e The Undertones antes que elas assinassem com gravadoras.

"John não apenas ouvia a música, ele a tocava no ar e deixava seu público decidir", disse o guitarrista. "Ele era em primeiro lugar um ouvinte, e em segundo um ativista, e estou feliz de ter a chance de homenageá-lo e de examinar como seu legado pode estender-se ao futuro".

Em sua palestra, Townshend apresentará a questão: "O John Peelismo pode sobreviver à internet?". Um comunicado da BBC diz que a palestra questionará se "as pessoas podem ter um meio de vida na era dos downloads gratuitos e de uma atitude descartável em relação à música, e se, sem as rádios, a música em estado 'bruto' promovida por John Peel ainda pode encontrar um público".


publicado originalmente na BBC News

14.09.2011
Daltrey inicia turnê solo pela América do Norte

Vocalista caiu na estrada com sua banda para apresentar a ópera-rock Tommy



Após a primeira leva de shows no Reino Unido (que durou de 3 a 31 de junho), teve início ontem em Hollywood a segunda parte da turnê Tommy, de Roger Daltrey e banda solo. A ópera-rock é apresentada de forma integral, algo que, de acordo com ele, o Who nunca fez nos palcos.

Agora, no entanto, Daltrey diz que com a banda que reuniu é possível "fazer todas as harmonias, todos os pequenos detalhes que estão na gravação e que o Who costumava negligenciar devido a nossas limitações instrumentais".

O último show está agendado para o dia 2 de novembro em Winnipeg, Canadá e, apesar de chamada de "turnê mundial" pela mídia (como nesta entrevista que Daltrey concedeu ontem ao canal Fox), ainda não há informações se a excursão será prolongada para atender ao "mundo" que não fica no hemisfério norte.

Já em relação a 2012, e falando das declarações recentes de Pete Townshend que o Who pode se reunir para apresentar Quadrophenia, Daltrey disse que nada foi confirmado até agora: "É, ouvi falar disso. No momento, não sei. Não discuti isso com ninguém ainda".

Também como parte da campanha de divulgação da turnê, Daltrey foi capa da revista Uncut desse mês. A entrevista com ele, traduzida para o português, você pode conferir aqui.


postado por Vinícius, com informações do USA Today

02.09.2011
Tommy no Rio de Janeiro

Musical baseado na ópera-rock do Who estréia no Brasil em versão adaptada para o português



Estréia nesta segunda-feira (05/09) a versão brasileira da ópera-rock Tommy. Adaptado por Alexandre Amorim, o musical será encenado no Teatro Paschoal Carlos Magno, no Rio. A entrada é franca, e a peça permanece em cartaz até o dia 22 de setembro.

Veja a seguir a ficha técnica, sinopse e demais informações sobre o espetáculo:

TOMMY – Texto e música de Pete Townshend. Versão brasileira: Alexandre Amorim. Direção de Rubens Lima Jr. Direção musical: Guilherme Borges. Com Igor Guerra, Thadeu Matos e elenco.

O musical conta a saga de Tommy, uma criança que sofre um trauma na infância ao assistir ao pai matar o amante de sua mãe e acaba ficando cego, surdo e mudo. Na sua trajetória se torna campeão de pinball e mais tarde um astro de rock, mas na verdade quer ser apenas uma pessoa comum.

Teatro Paschoal Carlos Magno / Palcão UniRio, Av. Pasteur, 436, fundos, Urca (2542-2205). Cap. 114 pessoas. 2ª a 5ª, às 20h30. Grátis, com retirada de senhas uma hora antes. 14 anos. Duração: 2h40 (com intervalo). Até 22 de setembro. Estréia na segunda (05/09).


postado por Vinícius, com informações do Jornal do Brasil

31.08.2011
Divulgados detalhes da nova edição de Quadrophenia

Pacote de luxo trará demos inéditas de Pete Townshend, além de vários outros extras



Chamada de versão "definitiva" da ópera-rock de 1973, Quadrophenia - The Director's Cut está previsto para ser lançado pela Universal Music Enterprises em 15 de novembro de 2011. E ao contrário das versões de luxo do catálogo do Who lançadas nos últimos anos, dessa vez a gravadora está investindo pesado na promoção do pacote. Além de um site próprio, foi divulgado também o seguinte comercial:



O pacote super-deluxe traz o seguinte conteúdo:

» Discos um e dois – o álbum duplo original – remaster de 2011

» Discos três e quatro – 25 demos dos arquivos de estúdio de Pete Townshend, incluindo canções não lançadas no álbum original.

» Disco cinco - The Quadrophenia 5.1 EP – DVD exclusivo com oito faixas remixadas em som surround.

» Livro capa dura com 100 páginas apresentando um ensaio inédito de Pete Townshend, com detalhes sobre o período da criação do álbum e explicações sobre alguns dos detalhes técnicos (como o uso do sintetizador), assim como vislumbres da história do personagem principal do álbum, o mod Jimmy.

» Comentário faixa a faixa das demos por Pete, além de um revelador diário de estúdio

» O livro traz também um conjunto inédito de notas pessoais, fotografias, manuscritos e objetos da época, tudo redescoberto recentemente nos arquivos de Pete.

» O pacote replica a impressionante embalagem do vinil original, adicionando sobras de estúdio inéditas e em cores da sessão de fotos da capa.

» Uma réplica do vinil de 7 polegadas do single "5.15" / "Water".

» Seis réplicas de documentos e fotografias, embaladas em um envelope de cartão.

» Embalagem em papelão, em edição limitada.


O álbum também será relançado em outros formatos:

» Vinil duplo

» Edição mini-deluxe em digi-pak

» Download

Faixas da versão super-deluxe:

Álbum original - remaster de 2011

Disco um:
1. I Am The Sea
2. The Real Me
3. Quadrophenia
4. Cut My Hair
5. The Punk And The Godfather
6. I'm One
7. The Dirty Jobs
8. Helpless Dancer
9. Is It In My Head?
10. I've Had Enough

Disco dois:
1. 5:15
2. Sea And Sand
3. Drowned
4. Bell Boy
5. Doctor Jimmy
6. The Rock
7. Love Reign O'er Me

Disco três - as demos
1. The Real Me (demo)
2. Quadrophenia – Four Overtures (demo)
3. Cut My Hair (demo)
4. Fill No. 1 - Get Out and Stay Out (demo)
5. Quadrophenic - Four Faces (demo)
6. We Close Tonight (demo)
7. You Came Back (demo)
8. Get Inside (demo)
9. Joker James (demo)
10. Punk (demo)
11. I'm One (demo)
12. Dirty Jobs (demo)
13. Helpless Dancer (demo)

Disco quatro - as demos
1. Is It In My Head (demo)
2. Any More (demo)
3. I've Had Enough (demo)
4. Fill No. 2 (demo)
5. Wizardry (demo)
6. Sea & Sand (demo)
7. Drowned (demo)
8. Is It Me (demo)
9. Bell Boy (demo)
10. Dr Jimmy (demo)
11. Finale-The Rock (demo)
12. Love Reign O'er Me (demo)

Disco cinco - DVD - mixagem em som surround 5.1
1. I Am The Sea
2. The Real Me
3. Quadrophenia
4. I've Had Enough
5. 5.15
6. Dr Jimmy
7. The Rock
8. Love Reign O'er Me

Single de 7 polegadas
Lado um: 5.15
Lado dois: Water


O pacote já está disponível para pré-venda na Amazon, com preço girando em torno de 150 dólares.


postado por Vinícius, com informações do TheWho.com

27.08.2011
The Who convidado a encerrar Olimpíadas de 2012

Banda supostamente seria atração principal da cerimônia de encerramento dos jogos olímpicos ano que vem em Londres


O Who acabou de confirmar sua participação na cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres.

Eles serão a atração principal de um evento musical que marcará a passagem da tocha olímpica de Londres para o Rio de Janeiro.

O evento coincidirá com o 50° aniversário do The Who.

Os dois integrantes remanescentes — o vocalista Roger Daltrey, 68 anos, e o guitarrista Pete Townshend, 67, foram convidados pelo produtor musical Kim Gavin, responsável pela cerimônia.

Uma fonte próxima à banda declarou: "Quando você está por aí há tanto tempo quanto o Who pode parecer que você já fez ou viu de tudo. Mas a oportunidade de tocar no maior show da Terra era boa demais pra ser recusada, e Roger e Pete estão felizes em participar."

É provável que a apresentação seja o início de uma abrangente turnê mundial do Who, que anunciou meses atrás a intenção de retornar aos palcos em 2012 com a ópera-rock Quadrophenia.


» UPDATE (29/08/2011): Uma nota publicada hoje no TheWho.com desmentiu a reportagem acima, declarando: "Oficial: matérias recentes na imprensa a respeito de uma apresentação do The Who na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos em Londres NÃO SÃO VERDADEIRAS."


publicado originalmente no Daily Mirror